L’Entre Images – Orlando Franco | Susana Anágua – Ciclo de Vídeoarte CCC

Novembro 10, 2011

Centro Cultural do Cartaxo (CCC) de 24 de Setembro e até 20 de Novembro  2011

O tema deste ciclo é emprestado do livro L’Entre Images de Raymond Bellour, obra que amplia a reflexão sobre imagem em movimento. O ciclo incide na apresentação de obras de artistas que fazem da imagem em movimento um elemento activo na sua prática artística. Em apresentações de dois ou mais artistas por mostra, o ciclo L’Entre Images promove diálogos entre obras, numa lógica que irá da aproximação à dissonância, na procura de zonas de contacto.

Os artistas Orlando Franco com Impromptu de 2011 e Susana Anágua com Caterpillar de 2008, inauguram o ciclo e programarão as mostras subsequentes ao longo de 2012.


CO-PRESSION Rita Firmino de Sá e Orlando Franco – Casa Bernardo, Caldas da Rainha

Outubro 19, 2011
21 Outubro a 21 Novembro 2011
Esta exposição reúne obras de dois artistas (Rita Firmino de Sá e Orlando Franco) com
percursos de alguma forma convergentes. O diálogo entre a obra e entre os próprios
artistas deixam-nos com esta sensação, definida pelo título da exposição: Co-pression.
Este conceito de natureza transversal serve como referência iniciadora do projecto,
ao mesmo tempo que se faz, permanentemente presente em todo o processo criativo
dos artistas. A exposição é consentânea de uma espécie de necessidade ensaiada, de
diálogo e confronto entre imagens; desenho como imagem e imagem como desenho.
As obras procuram as suas fronteiras através de uma apropriação gradual do espaço
(casa Bernardo). Este testemunha estes confrontos.

MATRIZ Caldas, museu do hospital termal – Caldas da Rainha

Outubro 19, 2011

SUCKING REALITY | Curadoria de Hugo Barata – BES Arte&Finança -Arte Contemporânea | Fuso – Anual de Vídeo Arte Internacional de Lisboa

Julho 28, 2011

SUCKING REALITY | Curadoria de Hugo Barata – ANTÓNIO OLAIO, SUSANA GUARDADO & BARRÃO, ORLANDO FRANCO, PEDRO VAZ, MIGUELÂNGELO VEIGA

 

 

 

 

 

 

 

UNDERNEATH – 2011 Instalação-vídeo | HD,PAL, cor, som, Dimensões variáveis, 3′ 19”


nothing left to tell

Junho 30, 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

Na peça Ohio Impromptu de Samuel Becket somos confrontados com um conceito de diálogo que se estabelece, numa simultaniedade de vozes. A riqueza do diálogo revela-se através dos muitos recursos de linguagem que uma imagem pode desvelar. Uma voz, as vozes, um pensamento, os pensamentos, um livro, os livros, uma memória, as memórias.

Todas as possibilidades iniciam-se a partir do momento em que tudo parece ter sido dito. A partir da premissa, nada mais há a dizer, descobrem-se caminhos de uma liberdade, concretizadora de encontros e diálogos.
Neste sentido a exposição Nothing left to tell representa a necessidade do encontro, do confronto e de diálogos. A partir destas premissas, este espaço  composto por 3 salas, potencia numa espécie de unidade plural, uma relação, entre a proximidade e o confronto, nas obras de Orlando Franco e Rodrigo Bettencourt da Câmara.
Orlando Franco apresenta Grass Circles (2008-2011) Impromptu (2011) , duas instalações vídeo que, na continuidade do trabalho que tem vindo a desenvolver promovem uma forte interacção com o espectador. Através da escala presente na natureza das imagens, o olhar e as sensações convocam, sobretudo as lembranças e as memórias do indíviduo.
Rodrigo Bettencourt da Câmara apresenta Video Compression (2010), uma obra que se debruça sobre o conceito compressão, no contexto particular da imagem, fixa ou em movimento. Esta obra explora, por um lado a natureza literal e física da compressão, por outro conduz-nos a uma reflexão em torno da dimensão metafórica da imagem e o seu reflexo na vida contemporânea.
Impromptu (2011) still vídeo
Grass Circles (2008-2011) still vídeo

Tyred ##

Maio 21, 2011

90-10 EXPOSIÇÃO 20 anos Artes Plásticas ESAD / SOMAFRE

29.04.2011 > 15.05.2011
Edifício XXI, Pólo Tecnológico de Lisboa


Cabinet d’Amateur – exposição 1990 / 2010 Sala do Veado

Julho 22, 2010

de 22 Julho a 03 de Outubro 2010


…and then again…Museu da Cidade de Lisboa Pavilhão Preto

Junho 4, 2010

Adam James, Adam Knight, Ana Fonseca, Andrea Jespersen, Ann-Marie LeQuesne, Barton Hargreaves, Bob Matthews, Bronwen Sleigh, Carlos Noronha Feio e Martinha Maia, Cristina Ataide, Dick Jewell, Edd Pearman, Francisco Sousa Lobo, George Charman, Graça Pereira Coutinho, Jane Ward, Jessie Brennan, Jo Stockham, José Carlos Teixeira, Liz Collini, Mark Hampson, Mónica de Miranda, Nuno Vicente, Orlando Franco, Paula Roush, Pedro Valdez Cardoso, Richard Healy, Rui Horta Pereira, Susanne Themlitz, Tom Smith

burnOut # print 2010

Museu da Cidade – Pavilhão Preto e Jardins
De 23 de Junho a 5 de Setembro de 2010

Terça a domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h

BurnOut (2010), o mais recente trabalho do artista plástico Orlando Franco (1977), surge no contexto da exposição colectiva, “ And then again”, como uma extensão ou afirmação contextual daqueles que têm vindo, desde há muito, a ser os conceitos charneira do seu trabalho. Desde muito cedo, ainda no seu percurso académico que o artista se interessa pelo poder da imagem, por um gesto grandioso, pela força, ou poder que nos são dados por algumas máquinas ou animais de grande porte. Algo, intermediado pela máquina que a produz e a sua visibilidade, o que nos é dado a ver. O significado ontológico da imagem foi explorado em diversas direcções. A escolha das imagens, seja em suporte fotográfico ou videográfico, tinham como objectivo reclamar a sua invisibilidade ou uma certa aparência da invisibilidade. Imagens que nos obrigam,  enquanto espectadores, a desvendar o que está “ na margem do visível” (este foi inclusive, o tema de uma das suas recentes exposições, em parceria com o fotografo Pedro Dantas dos Reis).

A repetição do gesto/acção e a acção repetição/gesto são dicotomias  concorrentes nas suas escolhas.  Repetição da imagem original que nos dá uma nova imagem. A qual aparece mediante a disponibilidade e a sensibilidade de cada espectador. Relacionamo-nos sempre de forma diferente seja pelo que vimos, as relações com o referente, seja pela sensação ou emoção que o nosso contacto permite. Explorando convidativamente, à experiência do contacto Existe, da parte do artista uma consciente intenção, de um condicionamento do olhar, criar sensações que não são planeadas, nem direccionadas. Talvez existam, mas não interessa saber como.

O fascínio do artista por um gesto de força e poder (o poder de convocar uma máquina ou um animal para um palco) e o seu movimento oposto de peso/leveza, (questões também próprias da pintura e da escultura) traduz-se pela sua proximidade com a vida. Sendo para ele um indício de vida. O seu gesto, o seu ritmo, o seu pulsar tem esta aproximação ao ritmo cardíaco, ao movimento de fôlego. O artista dá-nos a sentir não, simplesmente o movimento contínuo, mas o antes e o depois. O momento sem medida temporal, em que a força e a energia são reunidas para a acção. Não vemos apenas o gesto, mas o que o antecede, o que lhe dá suporte e o que o procede, o seu efeito, a marca. Simplesmente o que não vemos, quando distraídos pela intensidade da acção. O artista distrai-nos com esta sua escolha que privilegia gestos repetidos com grande intensidade. Contudo, a escolha recai quase sempre numa acção de força, que através da sua repetição, transforma-se em beleza, poesia ou até mesmo vaidade.

Em todo o seu processo de trabalho, destaca-se a presença de ritmo e desenho. Um ritmo explorado pelo gesto, um desenho dado pelo gesto. Vemos isso implícito na dança que um cavalo faz ao fazer a cabriola, um movimento/passo da alta escola (referência a um dos seus vídeos, Cabriola, 2004); nas marcas deixados pelo pneus dos tractores ou de uma mota (motor de 1tonelada pousado sobre papel, referente à instalação M.O.T.O.R, que resultaram em gravuras, marcas sobre papel) ; ou simplesmente o desenho que se inscreve na nossa retina depois de sujeitos ao movimento de loop. Este último é, muitas vezes, utilizado nos seus vídeos, em que existe uma acção curta, que é intensificada pela sua repetição exaustiva. Uma condensação, ou tensão de um gesto curto, mas repetido energicamente.

Em BurnOut, o artista, volta a apropriar-se de imagens, numa recusa consciente do original, num interesse evidente na acção/gesto. Mostra-nos um vídeo, um conjunto de imagens das quais se apropriou, onde o artista privilegia o referente, numa atitude de questionamento face ao motivo por detrás da acção. O interesse recai na estética da virilidade traduzida no controlo da máquina. Apropriação da imagem e a sua repetição. Apropriação da máquina e o seu domínio humano.

Vemos a repetição de um gesto por diferentes intervenientes. O trabalhar de uma mota, o domínio da máquina e a impressão resultante destas duas acções. Nas imagens fotográficas apresentadas na mesma sala, vemos o espaço de tempo intermédio, como que congelado. Não vemos o gesto, nem a marca (ou o desenho), mas apenas o fumo. Aqui, o fumo surge quase como metáfora, daquilo que se desvanece no ar, do imprevisível ou simplesmente do BurnOut. Estas imagens trazem-nos o momento poético preso nesta acção, um momento efémero congelado pelos stills escolhidos e apropriados pelo artista.

Rita de Sá


TYRED## – Museu Bernardo

Setembro 17, 2009

Museu Bernardo – Caldas da Rainha,

Inauguração 18-09-09  22h até dia 20-09-09

cartaz museu dia18-1


TYRED, Orlando Franco – Projecto A Sala, Travessa convento da encarnação, nº 16, 3º, Lisboa

Junho 15, 2009

TYRED – 2009

(da série a-na’sta-sis I)

Projecção vídeo cor/som; Dimensões variadas

ORLANDO FRANCO “TYRED”

Sentir o impacto físico da imagem de uma única e tonitruante roda de tractor a girar imparável dentro de uma “Sala” de poucos metros quadrados é apanágio do vídeo. A utilização não comercial deste meio, em benefício da arte, surgiu no final da década de 60 do século passado. Desde então, tem sido utilizado a par da instalação, aos projectos site-specific, que ganharam força com o Minimalismo de Serra ou Judd, com os quais o espaço específico da exposição se funde às próprias obras.

O artista plástico Orlando Franco apresentou no espaço “A Sala” a vídeo-instalação “Tyred” – palavra anglo-saxónica que não se esgota no correspondente português “pneu”, mas que remete, mais expressivamente, para a palavra homófona “Tired” que, significando “cansaço” ou “exaustão”, direcciona mais e melhor no sentido da obra aqui proposta pelo artista.

Neste trabalho de Orlando Franco, não é a realidade captada pela câmara que nos é dada a ver mais de perto no contexto da exposição. A roda é um pretexto para ver o que está para além do visível. A oportunidade de contemplar o movimento e as forças que implicam um esforço. Essa acção contida e propositadamente arrastada, quase sofrida, acentua a tomada de consciência de coreografias quotidianas que, habitualmente, não conseguimos ver repetidas.

O artista, ao constranger esse movimento mecânico através dos meios tecnológicos, cria um efeito hipnotizante no qual a superfície da borracha deixa de ser coisa, para passar só a ser a acção. Mais facilmente captado na máquina, pela sua previsibilidade, o tractor é apenas um álibi que comprova esse interesse do artista pelo movimento, enquanto indício de vida – a “máquina mimetiza a vida”, afirma o artista.

Encaixado entre duas portas, o pneu move-se em sequências alternadas, parecendo encastoado entre eixos de rotação que pertencem ao espaço. Na sequência em loop, é impossível dizer quando avança ou recua; a percepção de mudança de ritmo dá-se graças a uma pausa no som, que assinala um esforço redobrado da máquina do tractor.

Mas porque é, frequentemente, nos intervalos que se ganha fôlego, ou se concretizam as mudanças, a dimensão espiritual deste movimento é também interior e intensifica-se na mudança de direcção ou de ritmo indiciada pelo som, como um ressurgimento de forças. Ou uma ressurreição. Este é, aliás, o significado do nome grego da série que este vídeo integra – “a-na’sta-sis”, série na qual a mecânica revivescente também está presente através de imagens em movimento.

Rendido às possibilidades do vídeo, talvez por ter sido um dos beneficiários da telescola, a 50 km de Lisboa, no Cartaxo, Orlando Franco tem desenvolvido um percurso tão ponderado como a sua obra, nomeadamente através do desenho que complementa, habitualmente, a realização de filmagens – apesar de não ser, necessariamente, uma preparação para estas e funcionar como trabalho de reflexão autónomo. No futuro, as instalações do artista poderão passar por apresentar as máquinas, lado a lado com os vídeos.

Licenciado em Artes Plásticas pela ESADE (Escola Superior de Artes e Design) das Caldas da Rainha, o artista tem investigado e reflectido sobre registos deixados por artistas como Richard Prince, Hiroshi Sugimoto ou Anish Kapoor. Sendo as fontes de interesse diversificadas, no trabalho de Orlando Franco subjaz a ideia de que, hoje, num tempo pós-histórico, o artista é – quase naturalmente – conceptual. Mas, arriscaria dizer, não necessariamente pós-utópico.

Margarida Rocha de Oliveira


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